Mateus
Introdução
Por muito tempo se pensou que este foi o primeiro evangelho a ser escrito; porém muitos estudiosos da bíblia crêem hoje que Marcos tenha sido o primeiro evangelho escrito. Esse evangelho não faz menção de autoria, mas a Igreja primitiva quase unanimemente o atribuiu a Mateus, o coletor de impostos. O livro apareceu cedo e os cristãos rapidamente o aceitaram com sendo genuíno. Mateus não foi um líder proeminente entre os apóstolos e o fato de a igreja ter designado este discípulo pouco conhecido como o autor do primeiro evangelho é um forte argumento a favor de sua autoria. A última aparição deste nome na bíblia encontra-se em Atos 1.79
A disposição sistemática do evangelho tornou-o útil para ensinar. As reivindicações de Jesus ser o messias e seus ensinamentos éticos e teológicos são apresentados claramente. O evangelho de Mateus mostra Jesus em Sua pessoa e vida como o cumprimento das profecias do AT ( 4. 14-16)
A visão de Mateus a respeito da vida de Jesus tem muitas semelhanças com a visão de Marcos e de Lucas. Uma vez que estes 3 evangelhos tem um ponto de vista similar sobre Jesus nós os chamarmos de evangelhos sinópticos. Isso significa que os 3 olham para Cristo da mesma forma. Embora sejam parecidos cada evangelho fornece uma perspectiva singular da vida de Jesus. João diferencia-se dos 3 outros evangelhos por ter omitido muito material sinótico e incluído incidentes omitidos pelos demais.
Embora a característica mais destacada de Mateus seja a ênfase nos ensinamentos de Jesus outro traço proeminente é a ênfase nos milagres.
Mateus, apelidado Levi, antes de sua conversão era um publicano ou cobrador de impostos submetidos aos romanos de Cafarnaum. O conteúdo deste evangelho e a prova dos escritores antigos, mostram que foi escrito primordialmente para o uso da nação judaica. O cumprimento da profecia era considerado pelos judeus como uma prova firme, portanto Mateus usa este fato em forma especial. Aqui há partes da história e dos sermões de nosso Salvador, particularmente selecionados por adaptar-se melhor para despertar a nação a ter consciência de seus pecados; para eliminar suas expectativas errôneas de um reino terreno; para derrubar seu orgulho e engano para consigo mesmos; para ensinar-lhes a natureza e magnitude espiritual do evangelho; e para prepará-los para admitirem os gentios na Igreja.
Ele apresenta a narrativa da vida do Senhor do ponto de vista de um judeu devoto. O propósito evidente do escritor é mostrar como o Senhor cumpriu as escrituras do AT. Nenhum dos outros evangelhos apresenta tantas citações da Lei, dos profetas e dos salmos. Nele o aspecto predominante do caráter e da obra do Senhor é o aspecto messiânico.
Mateus rebate os ataques desferidos pelos lideres religiosos de seu tempo contra os seguidores de Jesus. Mas ele também adverte para o crescente risco de apostasia em meio a liderança religiosa dentro da própria comunidade cristã.
Cap 1
Acerca desta genealogia de nosso Salvador, observe-se a intenção principal. Não é uma genealogia desnecessária.
A genealogia demonstra que nosso Senhor Jesus é da nação e família da qual ia surgir o Messias. E a menos que Jesus seja filho de Davi, e filho de Abraão, não é o Messias. Isto se prova aqui com registros bem conhecidos.
Quando aprouve ao Filho de Deus tomar nossa natureza, Ele se aproximou de nós em nossa condição caída, miserável; mas estava perfeitamente livre de pecado: e enquanto lemos os nomes de sua genealogia, não esqueçamos quão baixo se inclinou o Senhor da glória para salvar a raça humana.
Nessa lista de nomes, os patriarcas, gentios, mulheres de caráter duvidoso, homens bons, maus, sábios, famosos ou desconhecidos constituem todos elos importantes. É como se ela quisesse ensinar-nos que no Filho do homem, existe uma mistura de todas as classes, de maneira que ele possa se o representante e ajudador de todos. Cada um de nós pode achar algum ponto de identificação pessoal nessa genealogia.
Sobre o nascimento - aquilo que aconteceu de forma histórica deve ocorrer de forma experimental . Em cada um de nós Jesus Cristo deve nascer pela ação direta do Espírito Santo. É o que chamamos de novo nascimento.
Desposada (18). Isto quer dizer que já era noiva de José sem ser casada. Infidelidade depois do noivado era considerada adultério. Do Espírito Santo (18). A conceição foi operação miraculosa de Deus, o Espírito Santo, pela qual "o verbo se fez carne". Mateus demonstrou que era o cumprimento da profecia em Isaías 7.14Não queria infamar... intentou deixá-la secretamente (19). Estas duas possibilidades se ofereciam a José, conforme as leis e costumes judaicos. Um homem do caráter de José escolheria naturalmente a segunda. Projetando ele isso (20). Conhecendo o caráter impecável de Maria, naturalmente ficou perplexo, com tal situação. O anjo (20). A intervenção dum anjo não faz a história inverossímil. Foi essencial nas circunstâncias, de vez que nenhum esposo acreditaria na veracidade do fato da conceição duma virgem, se não lhe fosse revelada de modo sobrenatural. Em sonho (20). Até hoje, no oriente, os sonhos são considerados meio importante de revelação divina.
Mt 2
Sabe-se que Herodes, o grande, morreu em 4 a.C. . Portanto, Jesus realmente nasceu no ano 5 ou 6 a.C., de acordo com a maneira de datar o calendário gregoriano.
Os magos não eram reis, porém sacerdotes ou conselheiros de corte, tais como José e Daniel.
A estrela pode ter sido uma conjunção planetária, uma supernova ou algo simplesmente sobrenatural. Qualquer que tenha sido o caso, alude à estrela de Jacó ( Nm 24,17).
Quando estamos seguindo a direção divina, podemos estar certos de que Deus não falhará em levar-nos a meta.
Jesus não estava mais no estábulo, esta visita ocorreu algum tempo depois do nascimento, talvez um ano ou mais.
Os presentes dos magos eram ouro, incenso e mirra. A providência os enviou como socorro oportuno para José e Maria em sua atual condição de pobreza. Assim nosso Pai celestial, que conhece o que necessitam seus filhos, usa a alguns como mordomos para suprir as necessidades dos outros e provê-los ainda desde os confins da terra.
Podemos, também ofertar as nossas dádivas. Da mesma forma que Deus de antemão proveu o necessário para as despesas inevitáveis da viagem ao
Egito, sejamos benfeitores de outros. Não fiquemos somente nas palavras, ou só falando: Jesus vai te abençoar, somos o corpo de Cristo, isto é, nós seremos as mãos, os pés, a boca de Cristo. Vamos aprender a agir, a fazer, socorrer e não ficar apenas falando e esperando algo milagroso cair do céu, sejamos nós de fato o corpo de Cristo.
Os herodes deste mundo estão sempre conspirando contra o Cristo, mas tudo no fim é em vão.
Do Egito chamei meu filho - a criança regressa ao Egito
Não demoremos nós no Egito, voltemos pelo caminho de separação e consagração aos elevados propósitos de Deus.
Egito tinha sido um lar de escravidão para Israel, e particularmente cruel para as crianças de Israel; mais será um lugar de refúgio para o santo menino Jesus. Quando a Deus lhe apraz, pode fazer com que o pior dos lugares sirva para o melhor dos propósitos. Esta foi uma prova de fé para José e Maria. Mas a fé deles, sendo provada, foi achada firme.
Egito pode servir por um tempo como estadia ou refúgio, mas não para ficar a viver. Cristo foi enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel, e a elas deve retornar. Se olharmos o mundo como o nosso Egito, o lugar de nossa escravidão e exílio, e somente o céu como a nossa Canaã, nosso lar, nosso repouso, deveremos levantar-nos logo e partir daqui quando sejamos chamados, como José quando saiu do Egito.
Mt 3
Depois de Malaquias, não houve profeta até João Batista.
Após um silêncio de 400 anos, aponta João Batista despertando com a proclamação profética.
Sua mensagem era dupla, o arrependimento e o anúncio da proximidade do reino. Nós também precisamos expor-nos ao fogo, ao machado e a pá, para verificarmos o que realmente somos, e chegar, como Paulo, a reconhecer nossa justiça própria como perda, para ganhar a Cristo e ser achados nele.. Conquanto João denunciasse os pecados alheios, estava muito consciente dos seus próprios pecados. Ele tudo fez para evitar que suas mãos poluídas batizassem um ser tão puro, como ele percebia que Cristo era. . O Senhor admitiu a validade do argumento de João, mas não o aceitou. Foi batizado de modo que pudesse assumir a culpa do pecador, colocando-se ao seu lado e a seu favor e com ele se identificando.
Foi então, ungido pelo Espírito Santo e recebeu o testemunho abonador da voz do Pai. Jesus chama os sobrecarregados com o peso da justiça própria para que busquem nele seu descanso.
A identificação de Jesus com seu povo incluía seu batismo e morte, sua unção com o Espírito Santo e sua vitória sobre a tentação. . Tinha que se identificar com seu povo como o que levava os seus pecados. O batismo de João apontava para Jesus, porque só a morte de Jesus na cruz poderia tirar os pecados.
Pregava a doutrina do arrependimento: "Arrependei-vos". A palavra aqui usada implica uma mudança total de modo de pensar: uma mudança de juízo, da disposição e dos afetos, uma inclinação diferente e melhor da alma. Considerem seus caminhos, mudem seus pensamentos: pensaram errado; comecem de novo e pensem certo. Os penitentes verdadeiros têm pensamentos de Deus e de Cristo, do pecado e da santidade, deste mundo e do outro, diferentes dos que tinham. A mudança do pensamento produz uma mudança de caminho. Este é o arrependimento do evangelho, o qual se produz ao ver a Cristo, ao captar seu amor, e da esperança de perdão por meio dEle.
Há muito que fazer para abrir caminho para Cristo numa alma, e nada mais necessário que o descobrimento do pecado, e a convicção de que não podemos ser salvos por nossa própria justiça. O caminho do pecado e de Satanás é um caminho retorcido, mas para preparar um caminho para Cristo é necessário endireitar as veredas (Hebreus 12.13).
Muitos foram ao batismo de João, mas será que todos mantiveram a profissão que fizeram? Talvez haja muitos ouvintes interessados, mas poucos crentes verdadeiros. A curiosidade e o amor pela novidade e variedade podem levar a muitos a ouvir uma boa pregação, sendo afetados momentaneamente muitos que nunca se submetem a sua autoridade.
Os benefícios do reino dos céus, agora já muito perto, foram selados pelo batismo. João os purificou com água, em sinal de que Deus os limparia de todas suas iniqüidades, dando a entender com isto que, por natureza e costume, todos estavam contaminados e não podiam ser recebidos no povo de Deus a menos que fossem lavados de seus pecados no manancial que Cristo abriria (Zacarias 13.1).
Existe uma grande ira vindoura. O grande interesse de cada um é fugir da ira. Deus, que não se deleita em nossa ruína, já nos tem advertido; adverte pela palavra escrita, pelos ministros, pela consciência. Não são dignos do nome de penitentes, nem de seus privilégios, os que dizem lamentar seus pecados, porém continuam neles. Convém aos penitentes ser humildes e baixos a seus próprios olhos, agradecer a mínima misericórdia, ser pacientes nas grandes aflições, estar alerta contra toda aparência de mal, abundar em todo dever, e ser caridosos ao julgar o próximo.
Aqui há uma palavra de cautela, não confiar nos privilégios externos. Existem muitos cujos corações carnais são dados a seguir o que eles mesmos dizem dentro de si, e deixar de lado o poder da palavra de Deus que convence do pecado, e sua autoridade. Existem multidões que não chegam ao céu por descansar nas honras e nas simples vantagens de serem membros de uma igreja externa.
Eis aqui uma palavra de terror para o negligente e confiado. Nossos corações corruptos não podem dar bons frutos a menos que o Espírito regenerador de Cristo implante a boa palavra de Deus neles. Contudo, toda árvore que tenha muitos dons e honras, por verde que pareça em sua profissão e desempenho externo, se não der bom fruto, frutos dignos de arrependimento, é cortada e lançada no fogo da ira de Deus. João mostra o propósito e a intenção da aparição de Cristo; a qual eles agora esperavam com prontidão. Não existem formas externas que possam limpar-nos. Nenhuma ordenança, seja quem for que a ministre, ou não importa a modalidade, pode suprir a necessidade do batismo do Espírito Santo e do fogo. Somente o poder purificador e limpador do Espírito Santo pode produzir a pureza de coração, e os santos afetos que acompanham a salvação. Cristo é quem batiza com o Espírito Santo.
Observe-se aqui a igreja externa na era de Cristo (Isaias 21.10). os crentes verdadeiros são o trigo, substanciais, úteis e valiosos; os hipócritas são palha, ligeiros e vazios, inúteis, sem valor, levados por qualquer vento; estão misturados, bom e mau, na mesma comunhão externa. Vem o dia em que serão separados a palha do trigo. O juízo final será o dia que faça a diferença, quando os santos e os pecadores sejam separados para sempre. no céu os santos são reunidos, e não mais espalhados; estão a salvo e não mais expostos; separados do próximo corrompido por fora e com afetos corruptos por dentro, e não há palha entre eles. O inferno é o fogo inextinguível que certamente será a porção e o castigo dos hipócritas e incrédulos. Aqui a vida e a morte, o bem e o mal, são colocados ante nós: segundo somos agora no campo, seremos então na eira.
Em Cristo e por meio dEle, os céus estão abertos para os filhos dos homens. Esta descida do Espírito sobre Cristo demonstra que estava dotado sem medida com seus poderes sagrados. O fruto do Espírito Santo é amor, gozo, paz, paciência, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança.
No batismo de Cristo houve uma manifestação das três Pessoas da Santa Trindade. O Pai confirmando o Filho como Mediador; o Filho que solenemente se encarrega da obra; o Espírito Santo que desce sobre Ele para ser comunicado ao povo por seu intermédio. Fora de Cristo, Deus é fogo consumidor; em Cristo, um Pai reconciliado. Este é o resumo do evangelho, o qual devemos abraçar jubilosamente pela fé.
Mt 4
Com referência à tentação de Cristo, observe-se que foi tentado imediatamente depois de ser declarado Filho de Deus e Salvador do mundo; os grandes privilégios e os sinais especiais do favor divino não asseguram a ninguém que não será tentado.
Muitas vezes após recebermos uma revelação especial podemos esperar um período de prova.
Cristo foi levado ao combate. Se fizermos ostentação de nossa própria força, e desafiarmos o diabo a tentar-nos, provocamos que Deus nos deixe livrados a nós mesmos. Outros são tentados, quando são desviados por sua própria concupiscência, e são seduzidos(Tiago 1.14); porém nosso Senhor Jesus não tinha natureza corrupta, portanto Ele foi tentado somente pelo diabo. Manifesta-se na tentação de Cristo que nosso inimigo é sutil, mal-intencionado e muito atrevido, mas que podemos resisti-lo. consolo para nós é o fato de que Cristo sofreu sendo tentado, pois, assim, se manifesta que nossas tentações, enquanto não cedamos a elas, não são pecado e são somente aflições.
1) O tentou a desesperar da bondade de seu Pai, e a desconfiar do cuidado de seu Pai. Uma das tretas de Satanás é tirar vantagem de nossa condição externa; e os que são colocados em apertos devem duplicar sua guarda. Cristo respondeu todas as tentações de Satanás com um "Está escrito", para dar-nos o exemplo ao apelar ao que está escrito na Bíblia. Aprendamos a não seguir rumos errados a nossa provisão, quando nossas necessidades são sempre tão urgentes: o Senhor proverá de uma ou de outra forma.
2) Satanás tentou Cristo a que presumisse do poder e proteção de seu Pai em matéria de seguridade. Todos os elevados são lugares escorregadios; o avanço no mundo faz do homem um alvo para que Satanás dispare suas setas de fogo. Satanás está tão bem versado nas Escrituras que é capaz de citá-las facilmente? Sim, ele está. É possível que um homem tenha sua cabeça cheia de noções das Escrituras, e sua boca cheia de expressões das Escrituras, enquanto seu coração está cheio de forte inimizade contra Deus e contra toda bondade. Satanás citou mal as palavras. Esta passagem, Deuteronômio 8.3, foi feita contra o tentador, portanto ele omitiu uma parte. Esta promessa é firme e resiste bem. Mas seguiremos em pecado para que a graça abunde? Não.
3) Satanás tentou a Cristo na idolatria com o oferecimento dos reinos do mundo e a glória deles. A glória do mundo é a tentação que mais facilmente vence aos homens. Cristo foi tentado a adorar Satanás. Rejeitou com aborrecimento a proposta. "Retire-se, Satanás!". Algumas tentações são abertamente más; e não são para serem simplesmente resistidas, senão para serem rejeitadas de imediato. Bom é ser rápido e firme para resistir a tentação. Se resistirmos o diabo, ele fugirá de nós.
Cristo foi socorrido depois da tentação para estimulá-lo a continuar em seu esforço, e para estimular-nos a confiarmos nEle, porque soube, por experiência, o que é sofrer sendo tentado, de modo que sabia o que é ser socorrido na tentação; portanto, podemos esperar não só que sinta por seu povo tentado, senão que venha com o oportuno socorro.
Os que estão sem Cristo estão nas trevas. Quando chega o evangelho, vem a luz; quando este chega a qualquer parte, quando chega a uma alma, aí se faz o dia. A luz revela e dirige; assim o faz o evangelho.
A doutrina do arrependimento é boa doutrina do evangelho. Não somente o austero João Batista, senão o bondoso Jesus pregou o arrependimento. Ainda existe a mesma razão para fazê-lo assim.
Quando Cristo começou a pregar, principiou a reunir discípulos que deviam ser ouvintes, e depois pregadores, de sua doutrina, que deviam ser testemunhas de seus milagres, e depois testemunhar acerca deles. Não foi à corte de Herodes, nem foi à Jerusalém aos sumos sacerdotes nem aos anciãos, senão ao mar da Galiléia, aos pescadores. O mesmo poder que chamou a Pedro e a André poderia ter trazido a Anás e a Caifás, porque nada é impossível a Deus. mas Cristo escolhe o simples do mundo para confundir o sábio.
Aonde ia Cristo, confirmava sua missão divina por meio de milagres, que foram emblema do poder curador de sua doutrina e do poder do Espírito que o acompanhava. Mencionam-se três doenças: a paralisia que é a suprema debilidade do corpo; a loucura, que é a doença maior da mente; e a possessão demoníaca, que é a maior desgraça e calamidade de todas elas; porém Cristo curou todo e, assim, ao curar as enfermidades do corpo, demonstrou que sua grande missão no mundo era curar os males espirituais. O pecado é enfermidades, doença e tormento da alma; Cristo veio para tirar o pecado e, assim, curar a alma.
Mt 5
Bem aventuranças:
Freqüentemente se emprega a palavra "feliz" ou "bem-aventurado" no Novo Testamento para descrever a condição daqueles a quem Deus abençoa.
A palavra que nos versículos 20 e 22 é traduzida por "mendigo" é a mesma que em Mateus 5:3 se traduz por "humildes". O mendigo era destituído de tudo, batido pela pobreza, sem recursos de nenhuma espécie. Humilde e mendigo derivam de uma raiz que significa "cobrir" ou "encolher". Era tão humilhante ao indivíduo confessar que nada tinha, e que por isso dependia de outrem, que o próprio ato de mendigar o rebaixava. Por isso é que o mendigo cobria o rosto, encolhia-se, acovardava-se quando estendia a mão para pedir uma esmola. Ele tinha vergonha de ser reconhecido.
Nosso Senhor não escolheu impensadamente esta palavra ao dizer: "Bem-aventurados os pobres de espírito, bem-aventurados os paupérrimos espirituais, bem-aventurados os espiritualmente destituídos, bem-aventurados os falidos espiritualmente que se encolhem e se humilham por causa de seu total desamparo; porque deles é o reino dos céus." Em se tratando de coisas espirituais, humilde de espírito é o contrário, não da auto-estima, porém do orgulho espiritual. O que nosso Senhor condenou foi a auto-suficiência oriunda do orgulho espiritual.
Humilde de espírito é aquele de quem foi retirada a base da auto-suficiência; é aquele cujo coração está ajoelhado. Tal pessoa caracteriza-se por uma atitude de total dependência.
Ao pronunciar: "Bem-aventurados os humildes de espírito", o Senhor dizia aos seus ouvintes, antes de tudo, como ter acesso a ele. Lucas 18:9-14 ilustra-o de modo muito vivido:
O fariseu
Esperava que Deus o abençoasse pelo que ele havia feito para Deus. Que exemplo de quem não possui humildade de espírito!
Já o pecador confesso
Este nada tinha que reivindicar para sua pessoa nem para sua justiça. Em sua pobreza e desamparo espiritual ele lançou-se inteiramente à graça e à misericórdia de Deus. Aí estava um homem humilde de espírito, e nosso Senhor disse: "Digo-vos que este desceu justificado para sua casa.
O único caminho que o homem tem de acesso a Deus é ir ao Criador e confessar sua injustiça, sua incapacidade de satisfazer aos padrões e às exigências do Altíssimo; e, pela fé, reivindicar o sangue de Cristo que lhe cobre os pecados. Tal pessoa ― humilde de espírito ― é feliz porque abençoada por Deus.
Que temos nós para oferecer a Deus? Nada. Que tem Deus para dar-nos? Tudo. O que faz que as riquezas de Deus sejam nossas? Um pedido de socorro, um grito de dependência, uma confissão de nosso desamparo. "Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus."
Os que choram - o contexto está indicando que estão chorando por causa do pecado e do mal, especialmente os deles mesmos, e por causa do fracasso da humanidade em dar glória devida a Deus.
Não há tristeza mais profunda ao filho de Deus que ofender Aquele que o amou até à morte. Não há tristeza igual à do amor ofendido.
O conceito bíblico de prantear é reconhecer uma necessidade, e então apresentá-la ao Deus
de toda consolação.
Mansos -
Nosso modelo de mansidão é Jesus.
"Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca, pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje, quando maltratado não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente" (1 Pedro 2:21-23).
Os mansos são bem-aventurados. Os mansos são os que se submetem silenciosamente a Deus; os que podem suportar insultos; são calados ou devolvem uma resposta branda; os que, em sua paciência, conservam o domínio de suas almas, quando escassamente têm possessão de alguma outra coisa. Estes mansos são bem-aventurados ainda neste mundo.
Fome e sede de justiça -
Justiça de Deus e não da própria justiça .
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos." Ele declarou que o segredo do crescimento espiritual está no apetite espiritual. Os que comem pouco, pouco crescerão; os que comem muito, muito crescerão. Os que têm apetite voraz pela Palavra de Deus e pela Pessoa de Jesus Cristo; que satisfazem esse apetite alimentando-se da Palavra e comungando com o Senhor, esses crescerão em maturidade espiritual; tornam-se gigantes espirituais.
no Salmo 42, Davi falou do anseio de seu coração: "Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo"
O salmista aprofundou-se no coração de Deus, não porque fosse naturalmente religioso, nem por causa de alguma circunstância em sua vida. Ele aprofundou-se no conhecimento de Deus, e na experiência com ele, porque o Senhor lhe satisfazia a fome do coração.
No capítulo 3 da carta aos Filipenses, Paulo relembra as grandes bênçãos que encontrou ao conhecer a Jesus, bênçãos que suplantavam tudo o que se podia conhecer no judaísmo.
Paulo não estava satisfeito com o resultado de seu ministério, e o fruto dos seus esforços não lhe dava satisfação. Seu coração não se satisfazia com a atividade; sua felicidade estava na comunhão com uma Pessoa. Uma das tragédias de nosso tempo é que os homens se perdem em atividades e se satisfazem mantendo-se ocupados. Paulo disse que não era a atividade do ministério que o satisfazia, mas a comunhão com uma Pessoa. O anseio de seu coração era que ele pudesse aprofundar-se mais e mais nas coisas de Deus.
Era esta a preocupação de Pedro, ao escrever às ovelhas do seu rebanho espiritual: "Desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que por ele vos seja dado crescimento" (1 Pedro 2:2). Em sua segunda carta, ele ordenou; "Crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (3:18).. Pedro colocou sobre os filhos de Deus a responsabilidade de passar da infância e imaturidade espiritual para a maturidade e vida adulta. Mas Pedro disse que o crescimento depende do apetite. "Desejai ardentemente... o genuíno leite espiritual, para que por ele vos seja dado crescimento." A Palavra de Deus devia ser para a alma o que o alimento é para o corpo. Como a perda de apetite indica um grave problema físico, assim a perda do apetite espiritual indica um sério problema no campo espiritual.
"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos." Se o Espírito o convenceu, diante de Deus, de que seu apetite perdeu a força, ou, possivelmente, o apetite se foi, com base na autoridade da Palavra dizemos-lhe que não pode haver e não haverá crescimento espiritual, desenvolvimento, alegria em sua experiência cristã, poder em sua vida enquanto você não voltar à Palavra de Deus e à Pessoa de Jesus Cristo, e cultivar de novo aquele apetite que se embotou ou perdeu.
Misericordiosos
Jesus mostrou misericórdia com os pecadores, fracos, desamparados, pequeninos, rejeitados.
Misericórdia é a resposta de Deus à miséria, à necessidade daquele a quem Deus ama. Deus não ama porque o objeto de sua afeição lhe seja amável e atraente; ele ama Porque amar é inerente à sua natureza.
Amor e graça combinam-se no que a Bíblia chama de "misericórdia de Deus". O salmista reconhece que se Deus observar nossas iniqüidades, não subsistiremos. Devido à nossa pecaminosidade, não somos aceitáveis diante dele. Mas Deus, pela graça, põe de lado o que merecemos a fim de dar-nos o que nunca poderíamos merecer. O salmista continua no Salmo 103: "Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem" (v. 11). Se pudéssemos medir a distância entre a presença de Deus e o homem pecaminoso, poderíamos medir a misericórdia de Deus. Ela não tem limites. Porém o salmista ressaltou que a misericórdia não se origina no coração humano e se encaminha para Deus; ela se origina em Deus e é derramada sobre os homens.
Que tinha nosso Senhor em mente ao dizer "Bem-aventurados os misericordiosos"? Misericordioso significa "cheio de misericórdia". Assim como uma pessoa graciosa é aquela cheia de graça, a pessoa misericordiosa é aquela que está cheia da fonte de misericórdia, que está cheia de Deus. Misericordioso é o homem cheio de amor, que ama com o amor de Deus. É o homem em cuja vida a cruz realizou uma obra transformadora conformando-o a Jesus Cristo. Aquilo que não constitui característica natural de sua vida passa a ser o caráter e padrão dela.
Devo amar e ser misericordioso com meu próximo, e quem é meu próximo?
na parábola do bom samaritano:
Primeiro nosso Senhor definiu quem é o próximo. Meu próximo nem sempre é aquele que mora no mesmo quarteirão onde resido. Meu próximo é qualquer pessoa que esteja em necessidade, cuja necessidade conheço e tenho capacidade de atender.
Pacificadores
Muitas vezes o termo é entendido no sentido daqueles que ajudam a encontrar a paz com Deus e também como aqueles que alcançam a própria paz com Deus e são chamados seus filhos.
Devemos levar os homens separados de Deus a saber como ter paz com ele e como sentir essa paz. Para ser pacificador, o homem precisa conhecer apenas uma verdade fundamental: Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia para que possamos ter paz com Deus. O pacificador deve conhecer essa verdade e então comunicá-la aos que se encontram alienados de Deus.
Limpos de coração -
Os limpos de coração são bem-aventurados, porque verão a Deus. aqui são plenamente descritas e unidas a santidade e a felicidade. Os corações devem ser purificados pela fé e mantidos para Deus. Cria em mim, oh Deus, um coração limpo. Ninguém senão o limpo é capaz de ver a Deus, nem o céu é prometido para o impuro. Como Deus não tolera olhar para a iniqüidade, assim eles não podem olhar para Sua pureza.
o Senhor apresentou de maneira muito sucinta o padrão e a exigência de Deus: "Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus" (João 3:5). Deus é santo. Sua justiça é absoluta. Nele não há pecado, e a exigência que Deus faz aos que desejam estar em sua presença não é menor do que sua inalterável santidade. Eis um padrão que o homem não pode atingir, não obstante é o padrão de Deus.
Na Bem-aventurança registrada em Mateus 5:8, nosso Senhor deu uma resposta inequívoca: "Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus." Se esta declaração positiva é verdadeira, a recíproca também o é: "Ai dos impuros de coração, porque nunca verão a Deus." Esta é a verdade que o Senhor Jesus Cristo lhes deu em resposta à pergunta: "Quão bom tem de ser o homem a fim de que Deus o aceite?"
O homem se mede por outro homem. Quando ele deseja examinar seu caráter, sua ética ou seus princípios morais, ele se mede tomando por padrão outro homem. Sempre lhe é possível encontrar alguém um bocadinho inferior a ele; assim, medindo-se por outro homem, ele se felicita por não haver caído tanto como os outros. Isto significa que o padrão último de moralidade é o do mais devasso indivíduo vivo. Aquele que julgamos estar abaixo de nós procura alguém abaixo dele, de sorte que possa congratular-se consigo mesmo. Assim, vamos descendo a escada, de modo que o padrão de moralidade vem a ser o do indivíduo mais pecador que se possa encontrar.
Com Deus não é assim. Quando ele prova o caráter de alguém, seus princípios morais, sua ética, seus padrões, sua aceitabilidade aos olhos divinos, Deus o mede segundo sua própria santidade imutável, inalterável, absoluta. Tudo o que não atinge o padrão da santidade absoluta de Deus é inaceitável aos seus olhos. A santidade não é algo que possamos comparar― santo, mais santo, santíssimo. O cirurgião, ao pegar um bisturi na sala de operação, rejeita aquele que tenha um mínimo sinal de contaminação tão prontamente como o inteiramente contaminado, pois a menor mancha significa que o instrumento não pode ser usado na cirurgia. Não importa o grau de contaminação. A presença desta é que importa para o cirurgião. Uma coisa está esterilizada ou contaminada, pura ou impura. Uma pessoa é santa ou ímpia. Deus não está interessado em graus. A ele só interessa o absoluto.
o profeta Ezequiel descreve a promessa de Deus:
Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. Dar-vos-ei coração novo, e porei dentro em vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro em vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis. .. .Livrar-vos-ei de todas as vossas imundícias (Ezequiel 36:25-27. 29).
O profeta prometeu a vinda de Alguém que realizaria uma obra divina de sorte que os pecadores que viessem a Deus pudessem ser purificados, ter mãos limpas e corações puros; e, assim, entrar na presença de Deus. "Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus."
Como nos parecemos com as crianças! Como nos assemelhamos às crianças, pensando que podemos eliminar a sujeira do coração sem banho, e tornar-nos aceitáveis a Deus sem entrar no caminho indicado por ele, mediante o sangue de Cristo. Esta é a mensagem que Cristo procurava fazer que aquelas multidões entendessem: "Vocês precisam de um libertador." Libertador político? Sim. Libertador econômico? Sim. Libertador religioso? Sim. Mas, acima de tudo, precisam de um Redentor que conceda purificação de pecados, porque sem santidade ninguém pode ver o Senhor. "Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus."
Perseguidos por causa de justiça
O desejo de autopreservação é um dos principais impulsos de nossa vida. Muitos de nós, em face da oposição ou da perseguição, somos tentados a ocultar aquilo que possa acarretá-las. Nosso Senhor previu isto nas Bem-aventuranças, ao dizer: "Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós" (Mateus 5:10-12).
Como uma luz brilhante é dolorosa aos olhos, assim a luz da santidade de Deus é dolorosa ao pecador, e ele procura esconder-se dela. O crente, posto no mundo como luz, traz dor ao mundo. Não pode haver outra reação contra ele senão a de rejeição, perseguição, amargura e ódio. Por isso nosso Senhor disse: "Se o mundo vos odeia [e o texto original implica que certamente odiará], sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim" (João 15:18).
Deixando o sistema do mundo e aceitando o padrão da Palavra de Deus, dizemos ao mundo: "encontrei em Cristo algo superior a tudo quanto tens." Não há necessidade de empregar palavras, pois a própria rejeição das coisas da velha vida e aceitação da nova com seus alvos e padrões, é testemunho silencioso de que encontramos algo superior. O mundo interpreta esta atitude como complexo de superioridade de nossa parte, daí o ódio que nos tem. Não aceita que haja algo de maior valor em conhecer a Jesus Cristo e que Cristo seja superior ao deus deste mundo. Entende mal e interpreta mal. O fato de a pessoa deixá-los é um testemunho do alto valor daquilo que a leva a abandoná-los. O indivíduo saiu do seio do mundo. Não podendo entender porque ele fez isso, o mundo o odeia.
O segundo motivo que Cristo apresenta encontra-se no versículo 20: "Não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa." Jesus Cristo deixou fisicamente este mundo há quase 2.000 anos, mas os resultados de sua vinda ao mundo são tão reais como se ele tivesse partido ontem. O ódio que o mundo lhe votou no dia de sua crucificação é tão forte hoje como naquele tempo. O mundo não se contentou nem abriu mão de seu ódio a Cristo em 2.000 anos de amargura. Uma vez que Jesus Cristo não está presente em pessoa, o mundo descarrega sua ira sobre os que se identificam com ele; e, odiando aos de Cristo, o mundo continua a odiá-lo.
O ódio do mundo contra o crente não chega a ser tão grande quanto o ódio contra Jesus Cristo. Enquanto o mundo não for, afinal, julgado pela volta de Jesus Cristo, o grande Juiz, continuará a odiá-lo e aos que o seguem. Por isso o Senhor disse: "Tudo isto, porém, vos farão por causa do meu nome" (v. 21).
O terceiro motivo do ódio do mundo está na última parte do versículo 21: "Não conhecem aquele que me enviou." O mundo odeia a Deus e a Jesus Cristo porque realmente não os conhece. Conhece a Deus como Juiz. Conhece-o como alguém que o convence de pecado, mas não o conhece na realidade. Devido à sua ignorância, odeia-o.
Se quisermos escapar à perseguição do mundo e evitar a sua animosidade, é muito simples: aprovemos seus padrões, sua justiça; aceitemos sua ética. Vivamos como vivem os filhos do mundo, e não seremos perseguidos. Se quisermos evitar a perseguição do mundo, aprovemos sua religião. Não digamos a ninguém que fora de Cristo está perdido. Permitamos que o mundo creia haver muitos caminhos que levam a Deus. Neguemos a verdade bíblica de que só Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida. Elogiemos a sua religiosidade, sua freqüência à igreja, e sua contribuição para as instituições beneficentes. Podemos escapará perseguição do mundo se não nos separarmos dele, se não tomarmos o partido de Cristo. Não deixemos ninguém saber que somos cristãos. Vivamos bem com todos. No escritório, ocultemos o fato de que pertencemos a Jesus Cristo, que acreditamos estarmos salvos, que temos certeza de que eles estão perdidos. Gargalhemos de piadas sujas. Não censuremos o pecado; demos-lhe apoio. Divirtamo-nos quando zombarem e blasfemarem de Jesus Cristo. Não os censuremos quando tomarem em vão o nome de Deus ― aceitemo-lo como lugar-comum, como se fosse também nossa maneira de viver.
Aqui estavam crentes dispostos a identificar-se com o Salvador, firmes em sua devoção a ele e indesviáveis em sua separação do mundo; muito embora se amontoassem brasas vivas sobre eles, resistiriam com firmeza. Não se identificariam com o mundo para evitar a perseguição. Pedro prometeu que na revelação de Jesus Cristo redundariam em louvor, glória e honra. "Bem-aventurados sois quando... vos perseguirem."
José comprovou esta verdade. Os irmãos o perseguiram por causa da justiça, e ele foi parar numa cisterna seca, no deserto. Deus o tirou dali e o fez primeiro-ministro do Egito. Bem-aventurados os perseguidos.
Daniel comprovou esta verdade. Por causa da justiça ele foi lançado na cova dos leões. Deus o levantou e o fez primeiro-ministro da Babilônia. "Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem."
Jeremias comprovou esta verdade. Foi lançado numa masmorra coberta de lodo, e a areia movediça o engoliu. Foi perseguido por causa da justiça. Mas Deus o ergueu e honrou--lhe o nome como profeta do Senhor por toda a nação de Israel.
Deus chama os homens à separação para ele; mas nessa separação, ele os separa do mundo, do qual devem esperar o ódio. Duplamente bem-aventurados os que apresentam este fruto de justiça.
Sal da terra - luz do mundo
Nossa luz deve brilhar fazendo obras tais que os homens possam vê-las. O que há entre Deus e nossas almas deve ser guardado para nós mesmos, mas o que, de si mesmo, fica aberto à vista dos homens, devemos procurar que se conforme a nossa profissão e que seja elogiável. Devemos apontar à glória de Deus
Se conservarmos acesa a pura luz de uma vida cristã coerente em meio aos males do mundo podemos esperar perseguições. Os homens odeiam a luz que põe a descoberto suas iniquidades. Eles só nos tolerarão enquanto não os incomodarmos.
Nossa vida santa deve atuar como sal para deter a corrupção ao nosso redor. Um súbito silêncio devia ocorrer em certas conversas à nossa chegada. Mas é muito fácil perdermos nossa salinidade. Presisamos ser acesos pela natureza de Deus.
Mt 6
Hipócritas - no novo testamento o hipócrita é aquele que alega ter um relacionamento com Deus e amar a justiça, mas que está buscando seu próprio interesse, enganando-se a si mesmo.
Logo, nosso Senhor advertiu contra a hipocrisia e a simulação externas nos deveres religiosos. o que deve ser feito, devemos fazê-lo a partir de um princípio interior de sermos aprovados por Deus, não pela busca do elogio dos homens.
Quanto menos percebemos nossas boas obras, Deus as nota mais.
Os escribas e fariseus eram culpáveis de duas grandes faltas na oração: a vangloria e a vã repetição. "Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa"; se em algo tão grande entre nós e Deus, quando estamos orando, podemos levar em conta uma coisa tão pobre como a adulação dos homens, justo é que isso seja toda a nossa recompensa. Mas não há um murmurar secreto e repetido em busca de Deus que Ele não veja. É chamado recompensa, mas é de graça, não por dívida; que mérito pode haver em mendigar? Se não dá a seu povo o que lhe pedem, deve-se a que sabe que não o necessitam e que não é para seu bem. Tanto dista Deus de ser convencido pela largura ou as palavras de nossas orações, que as intercessões mais fortes são as que se emitem com gemidos inexprimíveis. Estudemos bem o que mostra a atitude mental em que devemos oferecer nossas orações, e aprendamos diariamente de Cristo como orar.
Cristo viu que era necessário mostrar a seus discípulos qual deve ser correntemente o tema e o método de sua oração. Não se trata de que estejamos obrigados somente a usar a mesma oração sempre, porém, sem dúvida, é muito bom orar segundo um modelo.
A oração deve se direta, simples e fervorosa. Deve ser reverente, santificando o nome de Deus e altruísta empregando o nós e nosso . Deve ser concebida em amor, respirar perdão e confiar no suprimento que atenda a fome de nossa natureza.. Devemos estar dispostos a tratar todos como esperamos que Deus nos trate.
Há uma grande diferença entre previsão e preocupação. A última e que Jesus reprova. O lavrador deve semear no outono de modo a colher no verão, mas não precisa perder o sono nas noites de inverno com a colheita distante. Deus sabe o que precisamos, confiemos nele. Ele não cuida dos pássaros , das flores. Ele não nos deu seu Filho?
Um homem pode servir um pouco a dois amos, mas pode consagrar-se ao serviço de não mais que um. Deus requer todo o coração e não o dividirá com o mundo. Quando dois amos se opõem entre si, nenhum homem pode servir ambos. Ele se aferra e ama o mundo, e deve desprezar a Deus; o que ama a Deus deve deixar a amizade do mundo.
Devemos fazer do governo soberano de Deus e do correto relacionamento com ele a mais alta prioridade da vida.
MT 7
Jesus proíbe certa espécie de julgamento mas aprova um outro tipo . . Este julgamento necessário não condena, mas distingue o não crente do crente, ( pelos frutos os conhecereis)
Boas coisas - estas dádivas do Pai são as coisas que Jesus tinha descrito como necessárias para os discípulos: retidão, sinceridade, pureza, humildade e sabedoria. Os qu3e conhecem sua própria necessidade pedirão a Deus pro elas. O paralelo em Lucas focaliza a maior dádiva de todas: o espírito santo.
Apresentar a vida cristã como um mar de rosas e minimizar que ela é repleta de problemas não segue a orientação do nosso Senhor. Pode ser que os falsos profetas sim, neguem que o caminho é estreito e difícil. A mensagem do falso profeta pode ser atraente. O único modo de saber com segurança e deixar o tempo mostrar seus frutos.
Senhor, Senhor - não é alegar ou sentir intimidade com Jesus o que importa, nem é simplesmente fazer boas obras, mesmo que miraculosas; só importa fazer a vontade do Pai. Genuína intimidade com o Pai significa conhecer a Deus e ser conhecido por Deus.
O mundo está cheio de falsificações. Cuidado com doutrinas estranhas.
Quando não se requer a negação do eu - é o caminho da cruz. Precisamos dizer não a vida do eu que está instalada em nossa alma, temos que negar-lhe o domínio sobre nós.
Quando não produz bons frutos - é o teste supremo, há muitos novos sistema de teologia. Muitas coisas estão sendo anunciadas, mas o teste para todos é o fruto que apresentam.
Não é bastante crer acerca de Cristo, devemos crer nele., achegar-nos a ele como a pedras viva e nos tornar também pedras vivas. Precisamos não só ouvir, mas obedecer. Recebamos com mansidão a palavra que é capaz de salvar a alma
MT 8
8,17 nossas enfermidades - usa a enfermidade para representar os pecados pelos quais pelos quais elas são maldição. Jesus veio para levar a maldição, bem como a culpa do pecado. Em seu ministério, ele demonstrou seu poder sobre os sofrimentos físicos. Contudo, ele não prometeu remover a doença do mundo ou da igreja, antes de sua segunda vinda.
Pedro tinha uma esposa embora fosse apóstolo de Cristo, o que demonstra que Ele aprovava o estado do matrimônio, sendo bondoso com a mãe da esposa de Pedro. A igreja de Roma, que proíbe que seus ministros se casem, contradiz a este apóstolo, sobre o qual tanto se apóiam. Tinha sua sogra consigo em sua família, o que é exemplo de ser bom com nossos pais.
Honrar os pais providenciando um sepultamento adequado era uma obrigação severa na sociedade judaica, porém Jesus exige mais fidelidade para com ele.
Os que estão passando pelo oceano deste mundo com Cristo, devem esperar tormentas.
Satanás e seus instrumentos não podem ir além do que o Senhor permita; eles devem deixar a possessão quando Ele ordena. Não podem romper o cerco de proteção em volta de seu povo; nem sequer podem entrar num porco sem Sua permissão.
Receberam a permissão. Freqüentemente Deus permite, por objetivos santos e sábios, os esforços da ira de Satanás.
Existem muitos que preferem seus porcos ao Salvador e, assim, não alcançam a Cristo e a salvação por Ele. Eles desejam que Cristo se vá de seus corações, e não suportam que Sua Palavra tenha lugar neles, porque Ele e sua palavra destruiriam suas concupiscências brutais, isso que se entrega aos porcos como alimento. Justo é que Cristo abandone aos que estão cansados dEle; e depois diga: "Apartem-se de mim, malditos", aos que dizem ao Todo Poderoso: "Saí de nós".
MT 9
Perdoar pecados era uma reivindicação de sua autoridade divina.. Perdoar pecados é mais difícil que realizar milagre, como sabiam os escribas, uma vez que reconheceram que só Deus pode perdoar pecados. Porém o perdão de pecados não pode ser visto pelos observadores. Assim, Jesus realiza o feito menos para provar o feito maior.
A fé dos amigos do paralítico ao levá-lo a Cristo era uma fé firme; eles criam firmemente que Jesus Cristo podia e quereria curá-lo. Uma fé forte não considera os obstáculos ao ir em busca de Cristo. Era uma fé humilde; eles o levaram a esperar em Cristo. Era uma fé ativa.
Aqueles que supõem que suas almas estão sem doença não acolherão o Médico espiritual. este era o caso dos fariseus; eles desprezaram a Cristo porque se criam íntegros; mas os pobres publicanos e pecadores sentiam que lhes faltava instrução e emenda. Pode suspeitar-se com justiça que os que não têm a graça de Deus não se comprazem com que outros a consigam. Aqui se chama misericórdia que Cristo converse com os pecadores, porque fomentar a conversação das almas é o maior ato de misericórdia.
O chamado do evangelho é um chamado ao arrependimento; um chamado para que mudemos nosso modo de pensar e mudemos nossos caminhos. Se os filhos dos homens não fossem pecadores, não teria sido necessário que Cristo viesse a eles.
Tua fé te salvou - sua fé a salvou porque as bênçãos do reino vem sobre aqueles buscam em Jesus a solução de seus problemas, e não por causa de qualquer poder da fé em si mesmo.
Tocadores de flauta - pranteadores profissionais que auxiliavam os enlutados a expressar sua dor.
A filha de Jairo estava realmente morta, mas não para Cristo. A morte do justo, de maneira especial, deve ser considerada somente um dormir.
As palavras e as obras de Cristo podem não ser entendidas no começo, e, contudo, não por isso devem ser desprezadas. A gente foi fortalecida. Os escarnecedores que riem do que não entendem não são testemunhas apropriadas das maravilhosas obras de Cristo. As almas mortas não são ressuscitadas para a vida espiritual, a menos que Cristo as tome pela mão. Se este único caso em que Cristo ressuscitou a um morto recente aumentou tanto sua fama, que será de sua glória quando todos os que estão nos sepulcros ouçam sua voz e saiam; os que fizeram o bem, para a ressurreição da vida, e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação!
Jesus visitou não somente as cidades grandes e ricas, senão as aldeias pobres e escuras, e ali pregou e curou. As almas dos mais vis do mundo são tão preciosas para Cristo, e devem sê-lo para nós, como as almas dos que mais figuram. Havia sacerdotes, levitas e escribas em toda a terra; mas eram pastores de ídolos (Zacarias 11.17); portanto, Cristo teve compaixão do povo como ovelhas desamparadas e dispersas, como homens que perecem por falta de conhecimento. Hoje também há multidões enormes que são como ovelhas sem pastor, e devemos ter compaixão e fazer tudo quanto pudermos para ajudá-los. As multidões desejosas de instrução espiritual formam uma colheita abundante que necessitava muitos operários ativos; mas poucos mereciam esse caráter. Cristo é o Senhor da seara. Oremos que muitos sejam levantados e enviados a trabalhar para levar almas a Cristo.
Ninguém pode realizar a obra da seara sem ser chamado para isso e eqipado por Deus para essa tarefa.
Mt 10
Apóstolo - a palavra grega apóstolos significa um representante ou emissário autorizado, cuja palavra tem a autoridade daquele que o envia. Aqui os doze recebem autoridade para fazer exatamente aquilo que Jesus estava fazendo.
OS APÓSTOLOS
At 1.26
Ainda que os Evangelhos chamem as mesmas pessoas de "discípulos" e "apóstolos" (Mt 10.1-2; Lc 6.13), os termos não são sinónimos. "Discípulo" significa "aluno", "aquele que aprende"; "apóstolo" significa "emissário", "representante", alguém enviado com a autoridade daquele que o enviou. Os doze apóstolos (Ap 21.14), como distintos dos apóstolos ("mensageiros") das igrejas (2Co 8.23 e a nota sobre o texto) e do resto dos discípulos, foram escolhidos e enviados por Jesus (Mc 3.14), exa-tamente como o próprio Jesus, "o Apóstolo... da nossa confissão" (Hb 3.1), foi preordenado e enviado pelo Pai (1Pe 1.20). Assim como rejeitar Jesus é rejeitar o Pai, também rejeitar os apóstolos é rejeitar Jesus (Lc 10.16).
Paulo, o "apóstolo dos gentios" (Rm 11.13; Gl 2.8), declara-se como um apóstolo nas palavras de abertura da maioria de suas cartas. Pelo fato de ter visto Cristo no caminho de Damasco e ter sido comissionado por ele (At 26.16-18), ele foi tão verdadeiramente uma testemunha da ressurreição de Jesus (que um apóstolo tinha de ser, At 1.21 -22; 10.41 -42), como foram todos os outros. Tiago, Pedro e João aceitaram Paulo no colégio apostólico (Gl 2.9), e Deus confirmou sua condição de apóstolo pelos sinais de um apóstolo (milagres e sinais, 2Co 12.12; Hb 2.3-4) e pelos frutos do seu ministério (ICo 9.2).
Os apóstolos foram agentes de Deus na revelação das verdades que se tornariam a regra de fé e de vida cristãs. Como tais e através da escolha deles feita por Cristo como seus representantes autorizados (2Co 10,8; 13.10), os apóstolos exerceram uma autoridade peculiar na Igreja. Não há apóstolos hoje, ainda que alguns cristãos realizem ministérios que, de modo particular, são apostólicos em estilo. Nenhuma nova revelação canônica está sendo dada; a autoridade do ensino apostólico reside nas Escrituras canônicas. A ausência de nova revelação não coloca a Igreja contemporânea em desvantagem quando comparada com a Igreja dos dias dos apóstolos, porque o Espírito Santo interpreta e aplica as Escrituras ao povo de Deus continuamente. ( Bíblia de estudo de Genebra)
Existiam duas exigências fundamentais para que um apóstolo fosse reconhecido para tal função:
1) Ser testemunha ocular da ressurreição de Jesus Cristo (Atos 1:21-22; Atos 1.2-3 cf. 4.33; 1 Coríntios 9.1;
15.7-8);
2) Ser comissionado por Cristo a pregar o Evangelho e estabelecer a igreja (Mateus 10.1-2; Atos 1.26).
Assim como Matias, que passou a integrar o corpo apostólico por ser uma testemunha, Paulo, que se
considerava o menor, por ser o último dos apóstolos, contemplou a Cristo no caminho de Damasco (Atos
9.1-9; 26.15-18), onde ocorreu o início de sua conversão. Ou seja, ambos preenchem os pré-requisitos
para tal função. No entanto, os que se intitulam apóstolos em nossos dias não se encaixam nos padrões
bíblicos que validam o apostolado.
Existem hoje ministérios com características apostólicas, no sentido das missões (envio) e no
estabelecimento de igrejas. No entanto, isso não faz de ninguém um apóstolo nos padrões bíblicos.
Nosso Senhor adverte a seus discípulos que se preparem para a perseguição.
Simplesmente parece que todos os que desejam viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguição; e devemos esperar que através de muitas tribulações entremos no Reino de Deus.
Deve haver cuidado prudente, porém não devem deixar-se dominar por pensamentos de angústia e confusão; que esta preocupação seja lançada sobre Deus. os discípulos de Cristo devem pensar mais em realizar o bem que em falar bem. No caso de grande perigo, os discípulos de Cristo podem sair do caminho perigoso, ainda quando não devam sair-se do caminho do dever.
A tribulação, a angústia e a perseguição não podem eliminar o amor de Deus por eles ou o deles por Ele. Temam Àquele que pode destruir o corpo e a alma no inferno.
Eles devem dar sua mensagem publicamente, porque todos estão profundamente preocupados da doutrina do Evangelho. Deve dar-se a conhecer todo o conselho de Deus (Atos 20.27). Cristo lhes mostra por que devem estar de bom ânimo. Seus sofrimentos testemunham contra os que se opõem a seu Evangelho. Quando Deus nos chama para falarmos por Ele, podemos depender dEle para que nos ensine o que dizer.
Cristo nos conduzirá através dos sofrimentos para gloriar-nos nEle. Os melhores preparados para a vida vindoura são os que estão mais livres desta vida presente.
Tomar a cruz - quando nossa vontade se opõe a vontade de Deus, optamos por fazer a vontade de Deus. Obedecer i identificar-se com Jesus.
Ate que venha o filho do homem - neste contexto - 10,23 - se refere a destruição de Jerusalém no ano 70 d.c. como um ato de juízo contra a nação de Israel. Este modo de entender conserva a nota de urgência e é mais adequado à experiência da igreja, antes do ano 70 d.c. As outras referências a vinda do filho do homem consideram a expressão como a grande e terrível manifestação do juízo de Deus. Ainda que estas manifestações não possam limitar a destruição de Jerusalém , aquele evento foi terrível em intensidade, caindo sobre aquilo que tinha sido o símbolo central visível da presença de Deus : o templo.
MT 11
Recusaram João por causa da austeridade e recusaram Jesus por causa de sua bondade e mansidão.
Mesmo quando não há oposição direta a indiferença é suficiente para selar nossa condenação.
Pequeninos são os que não depositam confiança nos raciocínios de seu intelecto; ,as tem coração de criança aquele que contempla admirado todos os mistérios de Deus. Aos cansados e sobrecarregados ele faz um convite e uma promessa de alívio. O convite é para entregar-se e submeter-se sob o jugo da vontade do Pai.
Não são os fortes e poderosos que alcançam o reino, mas os fracos e humildes que conhecem suas próprias fraquezas e estão dispostos a depender de Deus.
Embora a lei tivesse sido dada por Deus como ajuda a seu povo, as tradições orais dos escribas e fariseus iam além das exigências de Deus e se tornaram uma carga pesada. Quando a lei foi entendida como meio de salvação tornou-se um jugo de escravidão.
•11.25 ocultaste... revelaste. Deus é soberano na escolha daqueles a quem ele revelará a sua verdade. Ninguém pode conhecer a Deus por meio de sabedoria ou erudição mundanas (1Co 1.26-31).
•11.27 Tudo me foi entregue. Jesus, aqui, faz uma extraordinária reivindicação. Ele reivindica que a soberana disposição de Deus, de todas as coisas, foi entregue a ele. Como em Dn 7, o Filho do Homem recebeu todo poder e domínio. Ele afirma que só o Pai conhece o Filho e que só o Filho conhece o Pai. O conhecimento de Jesus é igual ao do Pai e sua filiação é ímpar. Ele afirma que a sua soberania se estende à própria decisão de determinar quem conhecerá o Pai. Esta idéia é paralela ao v. 25, mas aqui é Jesus quem revela o Pai. •11.28 Vinde a mim. Jesus tem autoridade para convidar os homens a irem a ele. Não estende este convite aos fortes, porém aos cansados e oprimidos. Jesus usa a linguagem da tradição da sabedoria, chamando a si os oprimidos, como a Sabedoria de Deus encarnada (v. 19, nota).
•11.29-30 Embora a Lei tivesse sido dada por Deus como uma ajuda a seu povo, as tradições orais dos escribas e fariseus iam bem além das exigências de Deus, e se tornaram uma carga pesada (12.2, nota; 15.2). Quando a Lei foi entendida como meio de salvação, tornou-se um "jugo de escravidão" (Gl 5.1). Por contraste, o jugo de Jesus, conquanto exigente, é "suave" porque vem daquele que é "manso e humilde de coração" e pode assegurar verdadeiro descanso para a alma. Ver "A Humilde Obediência de Cristo", em Jo 5.19. •
MT 12
Os fariseus haviam introduzido restrições minuciosas e absurdas acerca da observância do sábado, então o Senhor se dispôs a corrigir essa situação, ensinando ao povo a forma correta de observar este dia. Ele sustentou também que toda observância ritual deve ocupar lugar secundário e que a preocupação primária deve ser sempre atender às necessidades profundas e urgentes da humanidade. Assim, foi perfeitamente normal e válido que Davi comesse os pães da proposição.
O teste do fruto - a natureza de um homem, doutrina ou movimento só pode ser avaliado se ceder tempo para os resultados aparecerem. E como o cristianismo tem enfrentado este teste e mais ainda nestes dias.
Blasfêmia contra o Espírito Santo - Muito se tem discutido a respeito do que seria esta blasfêmia. Creio ser um endurecimento tão grande do coração, deliberado, que a alma se torna insensível a voz do
Espírito Santo, a alma não deseja nem procura perdão. Só o medo de cometer este pecado já demonstra que a pessoa não o cometeu.
A ressurreição de Cristo dentre os mortos por seu poder aqui é chamada de sinal de Jonas, o profeta, e é a grande prova de que Cristo era o Messias. Como Jonas esteve três dias e três noites no grande peixe, e depois tornou a sair vivo, assim estaria Cristo esse tempo no túmulo e ressuscitaria.
- 12.2 o que não é lícito. O Antigo Testamento não proíbe apanhar grãos no sábado, para comer. Os discípulos não eram agricultores empregados na obra da colheita. A objeção dos fariseus estava baseada numa tradição oral, que não levava em conta o verdadeiro propósito da Lei. Ver "A Liberdade Cristã", em Gl 5.1. sábado. O sábado é um símbolo da soberania de Deus sobre todo o universo criado (Êx 20.8). Recorda a redenção que Deus propicia a seu povo (Dt 5.12) e é uma representação da esperança de descanso eterno, na consumação (Hb 4.9). Jesus como senhor do sábado cumpre todos os aspectos do significado do sábado (Cl 2.16-17).
( Bíblia de estudo de Genebra)
•12.3-6 Em sua resposta às acusações dos fariseus, Jesus usa dois argumentos, de menor importância e de maior importância, ambos focalizando sua própria pessoa e autoridade. A transgressão de Davi da lei cerimonial, em uma hora de necessidade, tinha sido permitida e agora alguém com muito maior autoridade estava presente. Do mesmo modo, as exigências do culto, no templo, desculpa os sacerdotes de certas obrigações da Lei, e agora "aqui está quem é maior do que o templo" (v. 6).
•12.6 quem é maior que o templo. Como as genuínas necessidades do povo são rnais importantes para Deus do que os símbolos cerimoniais, assim aquele em quem Deus habita é maior do que o lugar simbólico de habitação. Jesus, Emanuel ("Deus conosco") é o verdadeiro templo para quem o símbolo apontava (Jo 1.14; 2.21). Os discípulos, estando na presença de Jesus, tinham um serviço muito maior do que o dos sacerdotes que serviam no templo de Jerusalém. •12.7 Misericórdia quero. Novamente citando Os 6.6 (cf. 9.13), Jesus condena o mau uso da Lei pelos fariseus. O sábado foi dado por Deus como auxílio para a humanidade, porém os fariseus perverteram este propósito, colocando o sábado contra os que estavam em necessidade e fazendo dele um peso (Mc 2.27).
•12.8 é senhor do sábado. O Filho do Homem recebeu o domínio sobre a criação (8.20, nota) e sobre a redenção (20.28), Por isso, ele tem domínio sobre o sábado, o sinal da soberania de Deus sobre a criação e a redenção (v. 2, nota). As reivindicações que Jesus faz aqui, sem dúvida, chocaram os fariseus, confirmando a vontade deles de tirar-lhe a vida (v. 14).
•12.9-14 Outro exemplo do senhorio de Cristo sobre o sábado. Novamente, no Antigo Testamento, não há proibição para curar no sábado e é sempre lícito fazer o bem. Jesus não ensina que o sábado é abolido com a vinda do reino, pois ele não veio para destruir a Lei, mas para cumpri-la (5.17, nota). O problema não estava na observância do sábado por parte dos fariseus, mas na interpretação errada deste mandamento por parte deles, tornando um peso aquilo que deveria ser um prazer. ( B E G)
Mt 13
Semear em solos diferentes - os resultados variados da pregação do evangelho não se devem em primeiro lugar, nem ao semeador nem a semente, mas ao terreno. Há 4 tipos de ouvinte nesta parábola e o próprio Jesus a explica. Mas, vamos lá ainda assim:
A parábola do semeador é clara. A semente plantada é a palavra de Deus. o semeador é nosso Senhor Jesus Cristo, por si ou por seus ministros. Pregar a uma multidão é semear o grão; não sabemos onde brotará. Uma classe de terreno, ainda que nos tomemos muito trabalho, não dá fruto adequado, enquanto a boa terra dá fruto em abundância. Assim acontece nos corações dos homens, cujos diferentes caracteres estão aqui descritos como quatro classes de terreno.
Os ouvintes negligentes e frívolos são presas fáceis para Satanás que, como o grande homicida das almas, é o grande ladrão de sermões, e com certeza estará pronto para roubar-nos a palavra se não temos o cuidado de obedecê-la.
Os hipócritas, como o terreno pedregoso, costumam ter o começo dos cristãos verdadeiros em sua demonstração de profissão de fé. Muitos dos que se alegram de ouvir um bom sermão são os que não se beneficiam. Muito lhes é falado da salvação gratuita, dos privilégios dos crentes, e da felicidade do céu; e, sem mudança do coração, sem convicção permanente de sua própria depravação, de sua necessidade do Salvador ou da excelência da santidade, logo professam uma certeza sem fundamentos. Mas quando uma provação pesada os ameaça ou podem levar uma vantagem pecaminosa, se rendem ou ocultam sua profissão ou tornam a um sistema mais fácil.
Os esforços do mundo são apropriadamente comparados com os espinhos, pois vieram com o perdão e são fruto da maldição; são bons em seu lugar para encher o vazio, mas deve estar bem armado o homem que tenha muito a ver com eles; enredam, afligem, aranham e seu fim é serem queimados (Hebreus 6.8). Os esforços do mundo são grandes obstáculos para ter proveito da palavra de Deus. O enganoso das riquezas opera o mal; não se pode dizer que nos enganamos a menos que depositemos nossa confiança nelas, então afogaremos a boa semente.
O que distinguiu o bom terreno foi a frutificação. Por isso se distinguem os cristãos verdadeiros dos hipócritas. Cristo não diz que a boa terra não tenha pedras e espinhos, senão que nada pode impedir que dê fruto. Todos não são iguais; devemos apontar mais alto para dar mais fruto. O sentido do ouvido não pode ser melhor usado que para ouvir a palavra de Deus; olhemo-nos a nós mesmos para que saibamos que classe de ouvintes somos.
Joio e trigo - os justos tem tido de viver no meio dos ímpios desde o começo, mesmo que pareçam justos. O joio e trigo são muito semelhantes quando crescem e não há como saber quem é quem. Assim é o verdadeiro cristão do falso, são muito parecidos. Deus retém o juízo imediato por causa dos eleitos que estão no mundo.
O mundo é o campo de Deus e há apenas duas classes , os discípulos pertencem a Cristo embora não tenham alcançado ainda a luz perfeita. Os que causam escândalos são colocados juntos com os que praticam a iniqüidade e ambos são lançados ma fornalha
Esta parábola representa o estado presente e o futuro da Igreja do evangelho; o cuidado de Cristo por ela, a inimizade do diabo contra ela; a mistura de bons e maus que tem neste mundo, e a separação entre eles no outro mundo. Tão propenso a pecar é o homem caído que se o inimigo semeia, pode continuar seu caminho, e o joio brotará e fará dano; enquanto que quando se semeia boa semente, deve cuidar-se, regar-se e proteger-se. Os servos se queixam a seu amo: "O senhor não semeou boa semente em seu campo?". Sem dúvida que sim; o que seja que está errado na igreja podemos ter a certeza de que não é de Cristo. Embora os transgressores grosseiros, e outros que se opõem abertamente ao evangelho, deveriam ser separados da sociedade dos fiéis; contudo, não há destreza humana que possa efetuar uma separação precisa. Os que se opõem não devem ser tirados senão instruídos, e com mansidão. E ainda que os bons e os maus estejam juntos neste mundo, contudo, no dia grande do juízo serão separados; então serão claramente conhecidos o justo e o ímpio; às vezes aqui custa muito distinguir entre eles.
Tesouro e pérola - elas forma um par. Ilustram os vários caminhos para se chegar a conhecer a verdade de Deus. Alguns encontram inesperadamente. Estão desempenhando as tarefas normais da vida quando a relha do arado se choca contra uma caixa de tesouro enterrada. De uma hora para outra o agricultor vem possuir uma riqueza que nem sonhava. Em outros casos resulta de uma procura diligente. O homem não pode ser feliz sem Deus muitas vezes vai de sistema a sistema, olhando e virando pérolas nas bandejas e de repente descobre Cristo. É a pérola de grande preço. Ele procurou e achou e está disposto a renunciar a tudo mais . E não é também que Jesus num certo sentido renunciou a tudo para poder adquirir para si mesmo a igreja, sua noiva?
44 a 52
Mais sobre os versículos
1) A do tesouro escondido no campo. Muitos levam com leveza o evangelho porque olham somente a superfície do campo. Mas todos os que esquadrinham as Escrituras, para achar nelas a Cristo e a vida eterna (João v 39), descobrirão tal tesouro, que torna este campo indizivelmente valioso; se apropriam dele a qualquer custo. Embora nada possa dar-se como preço pela salvação, contudo, muito deve dar-se por amor a ela.
2) Todos os filhos dos homens estão ocupados; um será rico, outro será honorável, ainda um outro será douto; porém a maioria está enganada e tomam as falsificações por pérolas legítimas. Jesus Cristo é a pérola de grande preço; tendo a Ele temos suficiente para fazer-nos felizes aqui e para sempre. o homem pode comprar ouro muito caro, mas não esta Pérola de grande preço. Quando o pecador convicto vê a Cristo como o Salvador da graça, tudo o resto perde valor para seus pensamentos.
3) O mundo é um mar largo, e em seu estado natural os homens são como os peixes. Pregar o evangelho é lançar uma rede neste mar para pescar algo para glória de Quem tem a soberania sobre este mar. Os hipócritas e os cristãos verdadeiros serão separados; desgraçada é a condição dos que, então, serão lançados fora.
4) O fiel e destro ministro do evangelho é um escriba bem versado nas coisas do evangelho e capaz de ensiná-las. Cristo o compara com um bom dono de casa, que traz os frutos da colheita do ano anterior e o recolhido este ano, abundante e variado, para atender a seus amigos. Todas as experiências antigas e as observações novas têm sua utilidade. Nosso lugar está aos pés de Cristo, e devemos aprender diariamente de novo as velhas lições, e também as novas.
Mt 14
Nós não precisamos afastar de Cristo à procura de coisas boas. Tudo esta nele. Quando nos manda alimentar as multidões ele assume a responsabilidade final, e abre caminho para isso mostrando a insuficiência de nossos recursos se usados sem o seu apoio. É no ato de partir e distribuir o pão vivo que este se multiplica em nossas mãos. A igreja é a intermediária entre o Salvador vivo e a fome desesperada do mundo.
Tempestade - ele nos vigia sempre e cm certeza virá em nosso socorro. Ele está sempre conosco.
Muitas vezes nas situações que mais tememos vem muitas bênçãos se olharmos para Cristo, se fixarmos nossos olhos nele.
Quando Jesus nos convida a ir com ele sobre as águas, podemos saber que suas ordens também nos capacita para isso. Fixemos olhar nele e não na tempestade ou nas águas agitadas.
A presença de Cristo e de seu evangelho, não só fazem suportável o deserto, senão também desejável.
A pequena provisão de pão foi aumentada pelo poder criador de Cristo, até que toda a multidão se satisfez. Ao buscar o bem-estar para a alma dos homens, devemos ter compaixão igualmente de seus corpos. Também lembremos de anelar sempre uma bênção para nossa comida, e aprendamos a evitar todo desperdiço, porque a frugalidade é a fonte apropriada da generosidade. Veja-se neste milagre um emblema do Pão de vida que desceu do céu para sustentar nossa alma que perecia. As providências do Evangelho de Cristo parecem magras e escassas para o mundo, porém satisfazem a todos os que por fé se alimentam dEle em seus corações com ação de graças.
Não são seguidores de Cristo os que não podem desfrutar o estar a sós com Deus e seus corações. Em ocasiões especiais, e quando achamos alargados nossos corações, é bom continuar orando secretamente por longo tempo, e derramar nossos corações ante o Senhor.
Não é coisa nova para os discípulos de Cristo encontrar-se com tormentas no caminho do dever, todavia, por isso Ele se mostra com maior graça e favor a eles. Ele pode tomar o caminho que lhe apraz para salvar a seu povo. mas até as aparências de liberação ocasionam às vezes problemas e perplexidade ao povo de Deus pelos erros que têm acerca de Cristo. Nada deveria assustar os que têm a Cristo junto deles e que sabem que é seu; nem a mesma morte.
Pedro caminhou sobre a água, não por diversão nem por vanglória, senão para ir a Jesus, e nisso foi sustentado maravilhosamente. É prometido sustento especial, e deve esperar-se, mas só nas empresas espirituais; tampouco podemos sequer ir a Jesus a menos que sejamos sustentados pelo seu poder. Cristo lhe disse a Pedro que fosse a Ele, não só para que pudesse andar sobre a água, e assim conhecer o poder de seu Senhor, senão para que conhecesse sua própria fraqueza. Freqüentemente o Senhor permite que seus servos tenham o que escolhem, para humilhá-los e prová-los, e para mostrar a grandeza de seu poder e de sua graça.
Quando deixamos de olhar a Cristo para mirar a grandeza das dificuldades que se nos opõem, começamos a desfalecer, mas quando O invocamos, Ele estende seu braço e nos salva. Cristo é o grande Salvador; os que serão salvos devem ir a Ele e clamar pedindo salvação; nunca somos levados a este ponto, senão até que nos achamos naufragando: o sentido da necessidade nos leva a Ele.
Repreendeu a Pedro. Se pudermos acreditar mais, sofreríamos menos. A fraqueza da fé e o predomínio de nossas dúvidas desagradam a nosso Senhor Jesus, porque não há uma boa razão para que os discípulos de Cristo tenham dúvidas. Ainda num dia tempestuoso, Ele é para eles uma ajuda muito presente.
Ninguém senão o Criador do mundo podia multiplicar os pães, ninguém senão seu Governador poderia andar sobre as águas do mar: os discípulos se renderam à evidência e confessaram sua fé. Eles foram apropriadamente afetados e adoraram a Cristo. O que vá a Deus deve crer; e o que crê em Deus irá a Ele (Hebreus 11.6).
Mt 15
Jesus não sentia simpatia pelo sistema que reduzia a religião a uma escravidão a formas exteriores. Seu novo reino estava no coração, no amor filial e na fé. Procuremos estar sempre com o coração limpo.
Jesus acusou os fariseus de colocarem seus regulamentos no mesmo plano dos mandamentos divinos, e assim, invalidaram o culto prestado por Israel. A autoridade divina naquilo que de fato constitui mandamento é bastante prejudicada quando há mistura com preceitos meramente humanos.
Nenhuma oferta para a obra de Deus é aceitável se resulta em negligência dos direitos de nosso familiares, a moralidade, aos olhos de Deus, situa-se muito acima do ritual.
As adições às leis de Deus desacreditam sua sabedoria, como se Ele tiver deixado fora algo necessário que o homem possa suprir; de uma ou de outra forma, levam sempre a que os homens desobedeçam a Deus. Quão agradecidos devemos estar pela palavra escrita de Deus! nunca pensemos que a religião da Bíblia pode ser melhorada por algum agregado humano, seja em doutrina ou na prática.
Nosso bendito Senhor falou de suas tradições como inventos próprios deles, e indicou um exemplo em que isto era muito claro: as transgressões do quinto mandamento. Quando se pedia a eles que ajudassem às necessidades de um pai, eles alegavam que tinham dedicado ao templo aquilo de que podiam dispor para ajudá-los, ainda quando não se separavam dessas coisas, e portanto seus pais não deviam esperar nada deles. Isto era anular a efetividade do mandamento de Deus.
A sina dos hipócritas está num pequeno parêntese: "Em vão me adoram". Não comprazerá a Deus nem aproveitará a eles; eles confiam na vaidade, e a vaidade será sua recompensa.
É bom refletir a lista de fontes de poluição da alma, apresentada pelo senhor. Maus pensamentos vem em primeiro lugar. Não podemos impedir que uma sugestão má chegue a nossa mente, mas podemos recusar a nos fixarmos nele . Dar-lhe guarida é como cometer o pecado em nosso coração, o que , a vista de Deus, equivale ao ato propriamente dito. O coração ao invés do corpo é a fonte do pecado. Atentemos para nosso coração e o guardemos com o maior cuidado, porque dele procedem as fontes das vida. Peçamos a Deus para criar em nós um coração puro. Reneguemos o que herdamos da fraqueza humana e pecado, e confirmemos tudo o que Cristo nos transmite.
Migalhas - a migalha foi dada a mulher cananéia, mas pães inteiros eram dados as multidões de judeus, porque era conveniente que eles tivessem plena oportunidade de apreciar e aceitar a Cristo.
por um breve momento eles glorificaram o Deus de Israel, mas a gratidão foi passageira. "os seus " rejeitaram Jesus. Estavam prontos para aceitar os milagres, mas não se dispunham a apropriar-se de sua mensagem. Tomemos cuidado para não acontecer que nós também venhamos a contentar-nos apenas em obter as bênçãos dele; amemo-lo por ele mesmo. Ele continua sendo fonte inesgotável da virtude curadora e poder divinos.
O estado desta mulher é um emblema do estado do pecador, profundamente ciente da miséria de sua alma. O mínimo de Cristo é precioso para um crente, até as mesmas migalhas do Pão da vida. De todas as graças, é a fé a que mais honra a Cristo; portanto, de todas as graças, Cristo honra mais a fé. Ele sarou a filha. Ele falou e foi feito. Daqui, os que buscam a ajuda do Senhor e não recebem resposta de graça, aprendam a converter ainda sua indignidade e desalento em rogos de misericórdia.
Mt 16
Fermento - doutrina
O ensino falso é como o fermento na massa e pode permear rapidamente a igreja e corromper sua santidade.
Os saduceus negavam a ressurreição e os fariseus se apegavam as tradições. Humanas. Em todo o livro de Mateus ambos se opõem a Jesus.
Os fariseus e os saduceus se opunham uns a outros em princípios e conduta, mas se uniram em contra de Cristo. todavia, desejavam um sinal de sua própria eleição: desprezaram os sinais que aliviavam a necessidade do enfermo e angustiado, e pediram outra coisa que gratificasse a curiosidade do orgulhoso. Grande hipocrisia é buscar sinais de nossa própria invenção, quando passamos por alto os sinais indicados por Deus.
Existe hoje por aí muito ensino que pode ser comparado ao fermento. Os germes de doutrinas danosas e falsas são tão abundantes quando os micróbios. Propagados pela palavra falada e a página escrita, produzem fermentação e desassossego nos jovens na fé e nos instáveis e nos não conhecedores da palavra. Devemos julgar esses ensinos perniciosos, não por sua aparência agradável e inocente, mas por seus efeitos no coração, no caráter das pessoas e sempre verificar se está de acordo com a sã doutrina.
Cristo agrega que o chama Pedro, aludindo a sua estabilidade ou firmeza para professar a verdade. a palavra traduzida como "pedra" não é a mesma palavra "Pedro", senão uma de significado similar. Nada pode ser mais errôneo que supor que Cristo significou que a pessoa de Pedro era a rocha. Sem dúvida que o próprio Cristo é a Rocha, o fundamento provado da Igreja; e aí daquele que tentar colocar outro! A confissão de Pedro é esta rocha Enquanto doutrina. Se Jesus não for o Cristo, os que Ele possui não são da Igreja, mas enganadores e enganados. Nosso Senhor declara depois a autoridade com que Pedro seria investido.
Ninguém pode perdoar pecados, senão somente Deus; e este amarrar e desamarrar na linguagem corriqueira dos judeus significava proibir e permitir, ou ensinar o que é legal ou ilegal.
Cristo revela paulatinamente seu pensamento a seu povo. desde essa época, quando os apóstolos fizeram a confissão completa de Cristo, que era o Filho de Deus, começou a falar-lhes de seus sofrimentos. Disse isto para corrigir os erros de seus discípulos sobre a pompa e poder externos de seu reino. Os que sigam a Cristo não devem esperar grandes coisas nem elevadas neste mundo. Pedro queria que Cristo aborrecesse o sofrimento tanto como ele, mas erramos se medimos o amor e a paciência de Cristo pelos nossos. Não lemos de nada que tenha dito ou feito nenhum de seus discípulos, em algum momento, que deixasse ver que Cristo se ressentiu tanto como quando ouviu isto. Qualquer um que nos tire do que é bom e nos faça temer que estamos fazendo demasiado por Deus, fala a linguagem de Satanás. Os que renunciam a sofrer por Cristo, saboreiam mais as coisas do homem que as coisas de Deus.
Um verdadeiro discípulo de Cristo é aquele que o segue no dever e o seguirá à glória. É um que anda no mesmo caminho que andou Cristo, guiado por seu Espírito, e anda em suas pegadas, onde quer que vá. "Negue-se a si mesmo". Se negar-se a si mesmo é lição dura, não é mais do que aprendeu e praticou nosso Mestre, para redimir-nos e ensinar-nos. "Tome sua cruz". Aqui se coloca cruz por todo problema que nos sobrevenha. Ou quando temos que optar entre fazer algo de nossa vontade e algo da vontade de Deus e optamos pela vontade de Deus . Somos bons para pensar que poderíamos levar melhor a cruz alheia que a própria; porém melhor é o que nos foi designado, e devemos fazer nosso melhor nisso. Não devemos, por nossa precipitação e torpeza, acarretar-nos cruzes sobre nossas cabeças, senão tomá-las quando estejam em nosso caminho.
Se um homem tem o nome e crédito de um discípulo, segura a Cristo na obra e o dever do discípulo. Se todas as coisas do mundo nada valem quando comparadas com a vida do corpo, quão forte o mesmo argumento acerca da alma e seu estado de felicidade ou miséria eterna! Qualquer que seja o objeto pelo qual os homens deixam a Cristo, esse é o preço com o qual Satanás compra suas almas. Mas uma alma é mais valiosa que todo o mundo. Este é o juízo de Cristo para a matéria; conhecia o preço das almas, porque as resgatou. Então, aprendamos justamente a valorizar nossa alma, e a Cristo como o único Salvador delas.
Mt 17
Os discípulos contemplaram algo da glória de Cristo, como do unigênito do Pai. Tinha o propósito de sustentar a fé deles quando tivessem que presenciar sua crucifixão; lhes daria uma idéia da glória preparada para eles, quando fossem transformados por seu poder e fossem feitos como Ele.
Os apóstolos ficaram surpreendidos pela visão gloriosa.
Enquanto Pedro falava, uma nuvem brilhante os cobriu, sinal da presença e glória divina. Desde que o homem pecou, e ouviu a voz de Deus no jardim, as aparências desacostumadas de Deus têm sido terríveis para o homem. Caíram prostrados por terra até que Jesus lhes deu ânimos; quando olharam em volta viram somente seu Senhor como o viam correntemente. Devemos passar por diversas experiências em nosso caminho à glória, e quando regressamos ao mundo depois de participar num meio de graça, devemos ter cuidado de levar a Cristo conosco, para que assim seja nosso consolo saber que Ele está conosco.
O rosto de moisés brilhou após ter absorvido a glória divina; o rosto de estevão brilhou porque por um momento ele viu o filho do homem. Mas o rosto do Senhor brilhou, não por efeito externo, e sim por algo que vinh de dentro. A shekinah de seu coração permaneceu quase sempre oculta, ma aqui, irrompeu através do frágil véu da carne.
Tributo – como filho de Deus, o Senhor poderia exigir isenção dessa taxa paraa casa de seu pai. Mas abriu mão de seu direito para não por uma pedra de tropeço no caminho dos outros. Devemos as vezes, sujeitar-nos a exigências que nos parecem desnecessárias por causa do efeito que nosso exemplo poderá ter em outros que ainda não alcançaram a mesma luz que nós.
Mt 18
Pedras de tropeço, escândalos – escândalo é qualquer coisa que torne mais difícil para os outros o caminho de uma vida santa e útil. Em tudo o que fizermos lembremo-nos de levar em consideração os mais fracos que nos estão observando e seguindo.
Com que ternura Jesus fala dos pequeninos. É preciso que voltemos atrás e nos tornemos como eles. Fazer com que tropecem é incorrer em terríveis penalidades. A beleza de uma cirnacinha é sua dependência, humildade, simplicidade e fé.
Setenta vezes sete – é perdão ilimitado . se Deus pede tanto de nós, imagine o que ele não está dispostoa fazer !
Ainda que vivamos totalmente da misericórdia e do perdão, demoramos em perdoar as ofensas de nossos irmãos. Esta parábola indica quanta provocação vê de sua família na terra e quão indóceis somos seus servos.
Existem três coisas na parábola:
1) A maravilhosa clemência do amo. A dívida do pecado é tão enorme que não somos capazes de pagá-la. Veja-se aqui o que merece todo pecado; este é o salário do pecado, ser vendidos como escravos. Inaptidão de muitos que estão fortemente convencidos de seus pecados é fantasiar que podem dar satisfação a Deus pelo mal que fizeram.
2) A severidade irracional do servo para com seu conservo, apesar da clemência de seu senhor com ele. Não se trata de que nos tomemos levianamente o fazer mal a nosso próximo, já que também é pecado ante Deus, senão que não devemos aumentar o mal nosso próximo nos faz nem pensar na vingança. que nossas queixas, tanto da maldade do malvado e das aflições dos afligidos, sejam levadas ante Deus e deixadas com Ele.
3) O amo reprovou a crueldade de seu servo. A magnitude do pecado acrescenta as riquezas da misericórdia que perdoa; e o sentido consolador da misericórdia que perdoa faz muito para dispor nossos corações a perdoar a nossos irmãos.
Não temos que supor que Deus perdoa realmente os homens e que, depois, reconhece suas culpas para condená-los. A última parte desta parábola mostra as conclusões falsas a que chegam muitos Enquanto a que seus pecados estão perdoados, embora sua conduta posterior demonstra que nunca entraram no espírito do evangelho nem demonstraram com sua vivencia a graça que santifica. Não perdoamos retamente nosso irmão ofensor se não o perdoarmos de todo coração. Porém isto não basta; devemos procurar o bem-estar até daqueles que nos ofendem. Com quanta justiça serão condenados os que, ainda levando o nome de cristãos, persistem em tratar a seus irmãos sem misericórdia! O pecador humilhado confia somente na misericórdia abundante e gratuita através do resgate da morte de Cristo. Busquemos mais e mais a graça de Deus que renova, para que nos ensine a perdoar o próximo como esperamos perdão dEle.